Aconteceu possivelmente no ano de 1985.
Nossa mãe havia se separado e mudado de cidade, fomos morar em Macaé, na Avenida Papa João XXIII, numa vila. Tudo novo: casa, vizinhos, amigos, passeios, praia, barzinhos, tudo. Vida nova.
Nesta época, minha irmã mais velha conhece um rapaz, sargento do exército, e inicia um namoro em casa com permissão de mamãe. Ele era simpático, inteligente, agradável, seu nome era Carlos Alberto, se não me falha a memória. Chamava nossa mãe de “Neusinha Maravilhosa”. Quando ia lá pra casa, namorar a Sandra envolvia todos da casa e alguns amigos: Jogávamos baralho, dominó, rolava até uns drinks, controlado... Em algumas vezes para eles saírem, só era permitido “se levasse a sua irmã junto”... Sem saber, eu já era empata-foda.
Bem, surgiu na ocasião uma festa em Conceição de Macabu, um churrasco de conhecidos do sargento, diga-se de passagem, que o sargento era do sul e ele já sabia que teria de “levar a irmã junto”...
Ele pede permissão, fica tudo combinado: antes de meia-noite em casa.
Era um dia de sábado, pegou-nos às oito da noite. De quebra, ele leva também um amigo forte, parrudo de quase dois metros, para me fazer companhia, por mim tudo bem, naquele dia eu não estaria segurando vela para o casal. Que alívio...
Na ida, passamos no supermercado e compramos algumas cervejas, já fomos calibrando. Lá, bebemos ainda mais. Gente estranha, esquisita, principalmente o amigo parrudo que não lembro o nome, porque não tínhamos intimidades, sabe?
Na volta: extrapolando o horário de retorno, era mais de uma hora da madrugada, o sargento em uma curva fechada, resolve frear o veículo, não entendo até hoje o motivo da freada, capotamos muitas vezes, possivelmente umas cinco voltas. A cada volta que dávamos, eu esperava “a hora da passagem” como nossa mãe dizia. Senti-me um caroço de feijão dentro de uma caixa de fósforo, trocamos de lugares, foi muito estranho. O carro era um chevette. Quando parou, arrumamos um jeito de sair logo pela janela, com as rodas ainda em movimento forte. Verificamos que um barranco havia segurado o carro. A primeira coisa que faço é localizar uma minha irmã que estava desacordada. Grito o seu nome desesperadamente, achando que o pior havia acontecido. Vimos à cara da morte! Foi horrível...
Depois de verificar que estava tudo bem, pedimos ajuda uma kombi que passava na hora levando um grupo de jogadores de futebol, que jogaram não sei onde, uma partida. Eles desviraram o carro, porém sem muito sucesso porque a mecânica do carro estava travada, deve ter sido a suspensão...
Ficamos ali, no meio do nada, o escuro, estradinha de chão, esperando algo que não sabia o que era. Naquela época não existia celular, nem bip!
Passou depois de algum tempo um jipee de um fazendeiro da região (nunca tinha andado de jipee, achei ótimo), que nos deu carona de volta à Conceição, de lá telefonamos para casa avisando o ocorrido, pegamos um táxi de volta para Macaé aonde chegamos sã e salvas por força do destino, sorte ou “cagada” mesmo...
“Se beber não dirija, se dirigir não beba.”
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