Aventuras de um Toshiba voador
Era uma tarde de segunda-feira, como sempre estava entretida com o trabalho, fazendo colagem numa caixa. Recebia meu irmão Leon e minha cunhada. Oliva usava o note book na janela, porque o sinal do mini moden é melhor, ela estava impaciente e irritada porque não conseguia sinal, a página caia toda hora, não conseguia abrir uma conta no orkut... Essas coisas. Percebi o drama, mas não há nada a fazer nessas horas, uma dica e fechar o móbile partner e conectar de novo, dependendo do sinal pode voltar melhor. Alertei a sobre puxar um pouco o NB pra frente, porque vi quando quase desequilibrou. Continuei meu trabalho a fim de terminar logo, fazer a janta e arrumar a casa.
Quando menos esperava, aconteceu, ele voou livremente pelo ar...
Só vi “um nada” na janela, fios pendurados e a Olívia me dizendo: “Caiu, mas não foi de propósito...” Eu tinha certeza disso.
Senti uma facada no peito. CARAMBA! Não posso acreditar... Olhei pela janela, vi caído no chão, esparramado, foi uma queda de quatro metros com a força da gravidade e o peso médio de 2,500kg, não poderia desejar milagres... Corri para buscá-lo, segurei nos braços como um bicho de estimação acidentado, não contive as lágrimas. Foi uma pancada forte... A bateria foi cuspida. A tampa sem encaixe de um lado, mas com o display inteiro. O mini moden envergado na base e uma quina com uma cicatriz.
Meu fiel parceiro: textos, aulas, provas, projetos, cursos, pesquisas, fotos, vídeos, músicas, contatos, pastas e arquivos tudo misturado.
E agora Jose’? O que fazer? Fiquei sem cabeça pra pensar... Transtornada...
Fiquei com medo de ligar, poderia dar um curto, não sabia como estava por dentro.
Na terça, levei-o na assistência médica, digo técnica em Cabo Frio , ainda pensando durante o trajeto, nos possíveis danos, preocupada, quanto iria gastar para recuperar alguma peça, quanto tempo iria ficar fora do meu mundo cibernético... Já tenho um positivo la’ com a placa mãe queimada, agora outro? Poxa... Que situação...
Pedi pra falar com o técnico Orlando. Ele desparafusou e verificou os componentes, memória, placa, a base de titânio quebrada, entre outros. Parecia um centro cirúrgico: todo despencado, na carcaça.
Depois de recomposto, hora de ligar...
Inacreditável! Sobreviveu!
Que alivio.
Ele me disse: Você teve sorte!
Pensei comigo: E que SORTE...
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