segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

No dia em que DINHEIRO caiu do ceu

     Trabalhava numa empresa chamada Comauto, era uma concessionária de veículos VW, minha função era auxiliar de escritório e foi meu primeiro emprego de carteira assinada, uma data inesquecível: 1º de abril de 1987. Comauto ficava bem distante, próximo ao Cemitério do Caju, era do outro lado da cidade. Eu morava no Jockey Club e acordava às 6h, tomava o ônibus CEAB às 7h, descia antes de subir na ponte, na Av. 15 de novembro, caminhava um pouco e chegava ao trabalho às 8h, eram 7km de distância. Na hora da volta pegava dois ônibus ou ia pé até o Centro da cidade e lá pegava o Jockey, não havia nesta linha CEAB de retorno.
     Certa vez, estava sem dinheiro nenhum. Tinha um trocado na bolsa somente para a passagem de ida, naquele tempo não existia o vale transporte, já que era dia de pagamento contava em receber e voltar para casa tranqüilamente, só que neste dia não saiu o pagamento... Diga-se de passagem que naquela época passávamos pela recessão: tudo era caro, inflação, a vida era muito difícil.
     Costumava levar marmita. Mamãe fazia a comida pela manhã e muitas vezes nem sabia o que era o almoço. Muitas vezes tinha vergonha de comer perto de alguém, lá no escritório porque às vezes vinha ovo frito, espinafre com angu. Uma vez ou outra vinha um bife acebolado ou um frango ensopado. A comida era sempre muito saborosa e o cheiro sempre aguçava o olfato de alguns colegas, independente de ser uma comida mais elaborada ou não. Neste dia, não levei marmita, a dispensa estava pura, comprei fiado uma esfirra de carne na lanchonete próxima ao trabalho.
     Depois do almoço fiquei pensando: “Como vou voltar para casa? Que desagradável, terei de pedir dinheiro emprestado... Que vergonha...” Mas não teve outro jeito, tive que me encher de coragem, explicar a situação para um colega mais próximo e então peguei emprestado o valor que seria para duas passagens: a de voltar para casa e a de vinda do dia seguinte.
     Fui caminhando pela Av 15, muito movimento, cansada, com fome, sem energia para caminhada de vinte minutos, mas seguindo em frente. Me lembro bem: ventava naquele fim de expediente, sentia meus cabelos bagunçados. Estava torcendo para que o pagamento saísse no dia seguinte, para não ter que passar por constrangimento como o de hoje.
     Quando menos esperava: vi caído na calçada um bolo de notas! O vento desmanchava o bolo! Olhei para os lados, não havia ninguém por perto! Não sabia qual iria pegar primeiro! Foi maravilhoso! Dinheiro caiu do céu pra mim, naquela hora! Obrigada meu Deus!!! Catei o que pude, feliz da vida, passei na padaria levei lanche para casa e ainda sobrou mais algum.
     Uma das sensações mais maravilhosas: Achar dinheiro!
     Tenho certeza de que foi Deus que mandou pra mim!


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