sábado, 15 de outubro de 2011

Viver a vida... em Buzios

Viver a Vida... Em Búzios

         Muitos pensam que aqui é só diversão e lazer, por estarmos num “paraíso de belezas naturais”. Mas não é bem assim... As pessoas trabalham, estudam, possuem afazeres, compromissos, contas a pagar. A cidade possui vida própria.
Brigitte passou por aqui, trouxe com ela gente famosa, marcou sua presença e marcou a tranqüila Aldeia de Pescadores, a transformando no sétimo destino mais visitado.
A alta temporada é animada, cheia de vida, principalmente quando entra outubro de transatlânticos e o Festival Gastronômico que nos dá água na boca.  Gera uma ansiedade indicando que as férias estão chegando!
A comunidade arregaça as mangas, se envolve com o movimento e faz o seu ganha pão. As festas de fim de ano nos trazem a sensação de que já estamos de férias...
Durante o dia, restaurantes exalam sua gastronomia, loja com seus objetos de desejo, escunas com passeios deslumbrantes pelo verde mar de nossa península, praias, mergulho na Ilha Feia, caminhada pela Orla... Visita ao morro de Sant’Anna.  Aqui, “dá praia” em qualquer dia do ano, com sol ou sem sol, o churrasco a bordo é garantido, anchova na brasa, além da cerveja, o bom papo com os amigos, boas risadas, mergulho no mar, o bronze dourado e o pôr do sol no horizonte na hora de ir embora. Aqui, se aprende a comer garoupa com macarrão, mariscada, sardinha na panela de pressão, peixe com banana.
Em novembro, acontece o Cine Festival com telões nas praças, atores e atrizes por todos os lados, cheiro de pipoca pelos ares, porque cinema é a nossa praia.
Reivellon em Geribá ou em qualquer praia, todas são maravilhosas.
Muita gente bonita na balada, na Rua das Pedras, no pequeno shopping, nas boates. Feirinha de artesanato na Praça matriz, ops! Na praça Santos Dumont. Música ao vivo, em vários lugares, dá um toque mágico nas noites buzianas. Cheiros diferentes, as feições, a pele, as roupas, linguagem diferente. Até parece que estamos no exterior. Os atrativos, para nós, são os turistas exóticos, além do ensaio do bloco carnavalesco Vou ali e volta já, lá no Tinho, encontro certo com os conhecidos.
Tudo lota: as ruas, os bancos, as lojas, os restaurantes, as lanchonetes, as farmácias, filas intermináveis, trânsito barulhento, carros engarrafados, gente impaciente, outras com pressa de algo que não sei o que, criança que chora, grupos que interrompem a passagem, casais que brigam, aumento de produção de lixo, consumo alto de luz e água...
Chega o Carnaval, onde é comum o “apagão” no horário de pico, é também o maior de todos os movimentos. As praias superlotam. Os bailes: são na rua, guerra de espuma, guerra entre blocos, fantasias para brincar em meio aos turistas. O Carnaval acaba e o último fôlego de energia também.
Depois, tudo volta como antes, fim de férias: volta às aulas e ao trabalho, escola...
A Orla Bardot fica livre. Você pode se expandir, andar por onde quiser. Ouvir os próprios passos, apreciar mais o cheio do mar, observar o horizonte, ver a direção do vento, deixar a lestada desarrumar os cabelos.
Nessa época, a cidade é nossa. Tudo bem tranqüilo e calmo, como maré seca. Você pode ir a qualquer lugar, folhear uma revista, parar no cais, ver pescadores na areia consertando uma rede, um colando o bote, outro pintando o barco... Ver o vôo vazante de uma gaivota. Tudo volta ao normal.
É assim que se vive a vida em Búzios.
                                                                                              Julho de 2010

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